sábado, 7 de abril de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Algumas discussões e outras peripécias.

(créditos desconhecidos)


Depois de muito conjucturar, reler, (re)discutir, finalmente consigo por algumas palavras em ordem de entendimento.
Tem tido contato com discussões muito acaloradas sobre o aborto, direitos do "nascituro" (que é isso!?). O que me trouxe a esse ponto: até onde, nós, que atendemos essa população da qual tantas e tantos lutam arduamente pela efetivação dos direitos humanos, e tantos e tantas outras tentam o seu contrário, onde a gente entra nessa discussão. Afinal, somos nós, efetivamente quem operacionaliza as politicas publicas excludentes e mesquinhas, que acabam por boicotar, em muitas vezes, todos os memoráveis esforços em uma direção emancipatória.
Não falo aqui da não existência de políticas públicas, mas sim de sua escancarada contradição, intrínseca ao Capital, que teimosamente, tapamos com a peneira. Ora, o que é isso de direito do "nascituro" e do controle da gestação com o monitoramento de TODAS as gestantes. Nem é necessário questionar a que interesses servem...
E aqui entro em outro aspecto, a operacionalização de todos esses disparates. Partimos do concreto, num contexto capitalista, é inviável uma interpretação da realidade que parte das singularidas isoladas, como se a "motivação individual" dos sujeitos pudesse realmente alterar as estruturas. Digo isto, pois, busca-se com essa fala, "apaziguar" os corações profissionais quando percebemos "na prática" que não damos conta. Não damos conta e buscamos jeitinho para dar... ora, contribuimos assim, mais fortemente ainda, com a manutenção do status quo!
E aqui entramos em outro ponto: afinal, as politícas públicas existem e partem de legislações específicas. Tá. Mas como atuar quando duas políticas se colidem no mesmo sujeito. No caso sujeita, a mulher gestante. Como querer monitorar a sua gestação, exigindo-se um pré-natal, ao mesmo tempo em que nenhuma outra política consegue alcançá-la. Como dar direitos a uma expectativa de recém-nato quando a sujeita que gera nunca pode conquistá-los. Ao mesmo tempo, tem-se a contradição da aproximação do acesso a esses direitos, quase que fantasmas, quando essas mesmas mulheres estão em uma situação de gestação.
E a Política Nacional de Atenção Integral a Saúde da Mulher, quando irá efetivar-se? Quando pararemos de discutir as "coisas" de modo focalizado? Quando as mulheres realmente serão tidas como sujeitos para as políticas públicas? Quando, antes da nossa possibilidade de gerar, seremos sujeitos? Quando, a realidade e o cotidiano permitirão uma real discussão sobre a construção de mulheres e homens, pra além dos muros estritamente teóricos? Quando a dominação-exploração sobre as mulheres, negros, pobres será realmente colocada na ordem do dia?

domingo, 9 de outubro de 2011

Há quanto tempo...

Hoje, me bateu um não sei quê. Lembrei há quanto tempo não dou e nem recebo um abraço. Há muito tempo.
O que eu tenho feito de mim?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Náusea...

Tomei um grande susto quando li o relato de Severina (que acabou de ser absolvida pela morte de seu pai, agressor, estuprador...). Lembrei da Náusea, de Sartre... pode ser num outro contexto, mas sinto essa náusea agora.
A Ordem Patriarcal de Gênero chega a níveis terríveis... e os ultrapassa. Como pode existir um passe livre tão grande para isso: A redução do Humano.
Masculinidades Hegemônicas.... essa construção social cansa. Esse modelo de homem, o patriarcado, o capitalismo....
Tantas Severinas. Tantos Severinos.
à luz de quê? pra quê?
Todas essas classificações, esses esteriótipos tão naturalizados, biologizados... determinados.
Essa dominação-exploração/exploração-dominação.
Náusea, náusea, náusea... náusea social.
Essa existência.
Esse, esse.
Esse não-lugar.
Esse outro. Essa outra.
Esse não-ser. Essa não-ser.
Nada.



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'Minha mãe me levou pra ele', conta mulher abusada pelo pai em PE


FÁBIO GUIBU DE RECIFE

A agricultora Severina Maria da Silva, 44, foi absolvida pela Justiça de Pernambuco anteontem (25).

Ela era acusada de ter encomendado a morte do pai, Severino Pedro de Andrade, de quem engravidou 12 vezes e teve cinco filhos durante os 29 anos em que foi vítima de abusos sexuais por parte dele.

O júri popular acatou a tese da defesa, de "inexigibilidade de conduta diversa", ou seja, de que a ré não poderia ser condenada porque foi coagida desde a infância e agiu sem ter outra opção.

Severina, que vive na zona rural de Caruaru (136 km de Recife), começou a ser estuprada aos nove anos de idade e, em 2005, contratou dois homens para matar o pai, ao perceber que ele assediava uma de suas filhas-netas.

No julgamento, até a Promotoria pediu a absolvição da acusada. Os dois assassinos, Edilson Francisco de Amorim e Denisar dos Santos, foram presos, julgados e condenados. Eles cumprem pena em Caruaru.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No elevador do filho de deus... [Elisa Lucinda]

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida

Que eu já tô ficando craque em ressurreição.

Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão Na minha extrema-unção Na minha extrema menção de acordar viva todo dia Há dores que sinceramente eu não resolvo sinceramente sucumbo Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte que vem no mesmo malote das coisas queridas Vem dentro dos amores dentro das perdas de coisas antes possuídas dentro das alegrias havidas Há porradas que não tem saída há um monte de "não era isso que eu queria" Outro dia, acabei de morrer depois de uma crise sobre o existencialismo 3º mundo, ideologia e inflação... E quando penso que não me vejo ressurgida no banheiro feito punheteiro de chuveiro Sem cor, sem fala nem informática nem cabala eu era uma espécie de Lázara poeta ressucitada passaporte sem mala com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida ensaiar mil vezes a séria despedida a morte real do gastamento do corpo a coisa mal resolvida daquela morte florida cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos que já to ficando especialista em renascimento Hoje, praticamente, eu morro quando quero: às vezes só porque não foi um bom desfecho ou porque eu não concordo Ou uma bela puxada no tapete ou porque eu mesma me enrolo Não dá outra: tiro o chinelo... E dou uma morrida! Não atendo telefone, campainha...

Fico aí camisolenta em estado de éter nem zangada, nem histérica, nem p*** da vida!

Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa não tem aquela ansiedade para entrar em cena É uma espécie de venda uma espécie de encomenda que a gente faz pra ter depois ter um produto com maior resistência onde a gente se recolhe (e quem não assume nega) e fica feito a justiça: cega

Depois acorda bela corta os cabelos muda a maquiagem reinventa modelos reencontra os amigos que fazem a velha e merecida pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?" E a gente com aquela cara de fantasma moderno, de expersona falida:

- Não, tava só deprimida.



Tão morrida que é necessário emprestar as palavras de outra.

sábado, 13 de agosto de 2011

"A Juventude de Luta" - Na greve da UFPR, com Ricardo Antunes (em trânsito)


Entre um avião e outro, uma parada de três horas. Tempo suficiente pra um debate.

domingo, 24 de julho de 2011

Hasta, Amy!

Tchau Amy.
Nós aqui seguiremos.
Seu talento fará falta.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Arrume a casa!

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida... Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança. Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto... Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos... E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente. Arrume a sua casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... E reconhecer nela o seu lugar.




[Carlos Drummond de Andrade]

domingo, 10 de julho de 2011

...

"Para ser aceita pelos homens é preciso pensar e agir como eles, sem o que eles nos tratam como ovelha negra e a solidão se torna o nosso quinhão. E eu, agora, estou farta da solidão, quero gente, não apenas ao redor de mim, mas comigo... Viver agora, e não mais existir e esperar, e sonhar o tudo contar a si mesmo de boca fechada e corpo imóvel." [Irene Reweliotty in O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir]



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Feminização do Mundo do Trabalho.

Conferir esta reportagem: EXECUTIVO DEMITODO POR LIGAR SALÁRIO DE MULHERES A MENSTRUAÇÃO.

Ver livro: Feminização do Mundo do Trabalho - Cláudia Mazzei Nogueira.

... ainda dizem que a inserção das Mulheres no Mundo do Trabalho esta cada vez mais igualitária!!

Pela Aprovação da Lei 122/06

Pela Aprovação da Lei 122/06